
Sempre existiu uma certa euforia em torno desses primos que ninguém nunca entendeu muito bem de onde veio nem pq. Não sabemos se foi a proximidade de idade ou a combinação de duas meninas e dois meninos mas a coisa funcionava e era explosiva.
Nos amavamos loucamente pela missão única de nos amar loucamente. E ninguém pode negar que aqueles poucos três meses em q fomos vizinhos - sim pareceram dois anos - foi um marco de alegria da nossa infância.
Squash na varanda enqt Tia Regina tentava lavar o chão, redemoinho na piscina - que consistia em marchar em círculos por horas pra se largar na "correnteza" por uns 10 segundos, trocas das claras do ovo cozido pela gema de acordo com as preferências, um milhão de batidas na porta "vão dormir!!!" quando dormíamos juntos espalhados em colchonetes entre risinhos e piadas do tomatinho madrugada adentro, viagens a muriqui com aventureiras idas ao "castelinho", e os concursos de talento??? sim, Pivo, vc era a tartaruga: "devagar e sempre.. sempre devagar.. bem devagarinho.. sem pressa de chegar", Dedé, o passarinho: "canta passarinho canta.. encanta-me q eu quero te ouvir", eu, a girafa: "eu sou a girafa e cheguei primeiro, eu sou a escada lá do corpo de bombeiros" e o Davi era o sapo, não lembro da música do sapo, provavelmente pq o objetivo único dessa música era o de arremessar o sapo melequento de brinquedo do alto da escada em cima de nossas mães!!
Massinha, barbie e videogame, brigas épicas q se resolviam em 30 segundos, e as idas ao colégio... sim, as idas ao Souza Marques - onde comeríamos aquelas batatinhas fritas gordas da cantina e chiclete da turma da mônica - ora no fusquinha vermelho "Ooooooooo glória!" ou estilo off road com meu pai acelerando na maior ladeira do caminho "com emoção ou sem emoção??" e a gente em coro "COOOOOOOOOOMMMMMMM!!!!"

Depois seguimos para a segunda separação. A primeira muito antes foi quando mudamos para os Estados Unidos e foi recheada de cartinhas, fotos e bilhetes super emocionados de crianças ligadas pela promessa de serem amigos para sempre.
Pouco a pouco os anos iam passando, veio a puberdade e os insuportáveis jogos de multiplayer dos meninos, as insuportáveis fitinhas k7 - sim fitinhas k7!! - dos backstreet boys e coreografias "super" originais que planejávamos escondidas. A vida foi afastando a gente com a correria do crescimento e nos restava manter com unhas e dentes a "Maldição do dia 23 de dezembro". Sim.. no dia 23 de dezembro tudo pode acontecer. E quem disse que tínhamos medo?? Era o evento mais esperado do ano.. no primeiro quase morri engasgada após um concurso de arroto com uma coca dois litros dentro do carro. Em outro ano ficamos presos no elevador por uma hora, em outro, que tal um engavetamento de cinco carros no centro do rio? E quem se esquece da enxente em muriqui?
Mas.. nos últimos anos não tem sobrado tempo para maldições do 23.. cada um num canto, num ramo, gastronomia, engenharia, psicologia, direito, estudo, trabalho e correria, ficam só as saudades. De vez em qd bate aquela urgência nostálgica da infância permeada de tanto amor gratuito.
Ontem os primos adultos marcaram o primeiro chopp depois do trabalho. Bebemos, falamos do emprego, rimos, me obrigaram a comer um joelho de porco frito - coisa nojenta de alemão maluco - pagamos nossa conta há!! E ficou aquela beleza da vida no ar.. a vida que acontece, que segue, e os laços que ficam, os laços que a gente não consegue perder.
Faltou só Dedé de quem estou morrendo de saudades agora.
Fica de pé a promessa do nosso encontro na torre eiffel.
E todas as outras.. quando estamos juntos n me sinto adulta.. o sentimento de criança fala mais alto, seremos sempre o quarteto fantástico! Amo vcs!
Cueca de plástico!
Calção sem elástico!
O show da vidaaaaaa"


